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Pequena crônica sobre o medo


De vez em quando eu vejo uma breve sombra no canto do quarto, que fica escondida na sombra o meu abajur. Essa sombra já calejada que me apavora em uma noite sombria de pensamento, uma sombra que vez ou outra chega de mansinho e invade a alma. Mas que o abajur dá um chega pra lá com a sua luz fraquinha e aconchegante da esperança, amor e felicidade que acalenta os corações nas noite frias e sozinhas de inverno. Essa luzinha é o que segue nossos sonhos e nos dão forças pra levantar na manhã seguinte, e ela que ofusca a sombra e na manhã seguinte fica mais forte com a luz do sol que invade a janela do meu quarto me lembrando que o outro dia tá aí pra enfrentar de novo o medo. A sombra calejada chega a ser uma velha amiga, porque a vida nos fez assim, a vida ensinou a controla-la, domá-la e de um leão transformar em um gatinho que a gente acaricia nas tardes de outono. O medo não é tão mal, e como o bicho papão que quando criança nos assusta, mas ele não passa de uma sombra do lado cama. Eu aprendi com o medo que há esperança, e que sempre vai ter um colo ou um ombro amigo pra ajudar a colocá-lo de volta em sua gaiola ao lado da cama. Não confunda medo com cautela, cautela é bom sempre, já o medo só se for pra guardar bem lá longe esquecido, e que domine a alma de vez em quando pra lembrar das coisas que realmente importam na vida. O medo é tão pequeno perto de tudo, perto do meu sonho, do meu sangue, da minha voz e da minha luz que não me incomoda mais e às vezes me agrada.

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