E do nada a tela branca e vazia foi sendo pintada a sua maneira. A menina pequena que mal falava bordava a tela com seus mais diversos movimentos e a tinta que escorria por seus dedos, braços e a esta hora até as pernas. À medida que seus movimentos uniformes e repentinos se faziam a pintura que uma fora disforme ia ganhando vida, vida como a vida, inconstante, com seus relevos, picos e abismos, e ela se jogava nessa pintura e dançava como fazia com a vida, dançava para lá e para cá flutuando sobre tudo, sobre águas e céu, sobre risos e lágrimas. E a tinta ia escorrendo por quase toda a tela, sem início ou fim, até que ela se deparou com o branco. O branco era novo, era diferente, era cor e não era cor, era tudo e não era nada. O branco era ela, e não era. E pela primeira vez a menina parou de dançar, parou de flutuar e entrou em estado de graça, graça e veneração pelo branco, pelo desconhecido, a menina começou a virar gente e caminhar pelo branco, o branco esteira o futuro, o pass...