Eu preciso das palavras abstratas, do verbo e da carne e de você pra escrever uma crônicazinha de quinta num domingo de manhã.
Talvez não seja a inspiração que me falte, mas sim os seus braços que ainda me aprisionam na imaginação que bate às 3 das manhã e dura uma eternidade num dia bucólico e frio como hoje.
Sim, me chame de romântica, mas de romântica mesmo, porque as vezes parece que se não for com você não será com mais ninguém, e enquanto você escuta bem alto Los Hermanos tocarem clamando paz e pra eu te esquecer qualquer um que me encontre lendo o jornal na fila do pão sabe que eu não te esqueci, mesmo eu não comendo pão.
E o livro da minha cabeceira tão amarelado de ter sido folhado só me consola quando eu acho uma mão pra dar tudo o que eu vi, pra entregar a barata que simboliza a gente.
Talvez o seu sol aquário combinado com o meu em câncer não funcione, nem a minha lua em Leão ou o meu ascendente em você. Talvez você seja somente o leão que me ronda pela jaula pronto pra me comer e me largar como carniça para os urubus.
E impressionante o quanto eu sou masoquista e o quanto eu não consigo te odiar apesar de todas as palavras duras que fizeram meus tímpanos sangrarem, eu gosto do sufoco, aprecio os desafios mesmo que eles me façam me tornar alguém que eu não sou, e sim alguém que você queria que eu fosse.
Desviei todo meu caminho e minha crônica virou um desabafo, e não é culpa sua se eu mesma me perco nos meus rodeios e me aprisiono na sua jaula, acho que eu concordo contigo, eu sou louca e viver no teu peito é a mesma coisa que no hospício porque me fez melhor ou talvez seja só o meu signo que quando ficar retrógrado em Capricórnio vai me libertar de você pra um novo amor.
Comentários
Postar um comentário